terça-feira, 27 de abril de 2010

Melodiando..


Canto coisas simples, que alguém me contou
Canto a beleza que o olhar notou
Canto o que eu não via e o que pra mim se revelou
Canto a alegria, sei pra onde vou.

Canto a esperança que não morre,
A paz que sinto no meu coração.

(Canto - Crombie)




música na cabeça.
sorriso no rosto.
paz no coração!


foto (locação): Genipabu. RN - Brasil.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Utilidade intima


utilidade
(latim utilitas, -atis)
s. f.
1. Qualidade de útil.
2. Préstimo; vantagem; serventia.
3. Pessoa ou objeto! útil.

útil
(latim
utilis, -e)

adj. 2 gén.
1. Que é necessário; que tem préstimo ou utilidade; proveitoso; vantajoso.


_____

Aquilo que não é útil a gente descarta, certo? Acho que muitos diriam que sim quanto a objetos, eu mesmo costumo fazer isso. De vez em quando (pra não dizer de vez em nunca) eu arrumo minhas coisas, faço aquele tipo de faxina que a gente só faz duas vezes no ano e, no meu caso, quando faz. Mas eu hoje me pergunto em relação às pessoas. Quando elas “não são mais úteis” a gente descarta? É! Muitas vezes isso acontece. E sem drama, já vi isso acontecer na minha vida; por motivos justificáveis ou não, aconteceu. E algumas vezes a própria vida se encarrega de mudar os caminhos e fazer com que essa e aquela pessoa não se encontrem mais e assim não possam mais ser úteis uma pra outra.

Não podem mais ser úteis? Na minha terra isso não existe! Quero dizer, até existe, mas não com aqueles aos quais dedico meu amor e real cuidado e também desejo ser útil. Sempre lembro da minha irmã nessas horas. Vivemos distantes, e sempre foi assim, mas a gente se ama tanto a gente é tão importante uma pra outra e isso é tão real, que os quilômetros só são realmente dolorosos quando precisamos de abraços e colo (e até, no nosso caso, de beliscões), de resto eu confesso que a sensação é que ela é minha vizinha.

Hoje alguém me fez atinar pra uma coisa: marcas! As marcas que a gente deixa. As marcas que deixam em nós. E é exatamente isso que acontece com as pessoas que amamos e nos amam. E isso é tão mágico!

As pessoas REALMENTE deixam um pedacinho delas em nós mesmo que não tenham feito algo de notável para o mundo, porém é notável para nós, que recebemos aquela atitude. [E nesse ponto eu ADORO a relatividade, ela faz todo sentido.]

Eu sempre gostei de pessoas que fazem o bem “sem olhar a quem”. Só pelo prazer de fazer o bem, sabe? que vão lá, dão a cara a tapa e procuram de algum jeito ajudar. Mesmo sabendo que talvez aquele alguém a quem se destina a atitude nem note, ou nem saiba quem fez, mas está feito!

E ainda melhor, na minha opinião, é quando as pessoas nos permitem entrar nas suas vidas e nos concedem a alegria de desfrutar de uma amizade. E engraçado que isso acontece nos momentos e lugares mais inesperados. E faz um bem!

Hoje eu sorri por ler lindas palavras. E talvez a autora nem saiba o bem que me fez. Talvez seja muito maior do que eu tenha feito pra ela.

É! Faz um bem gigantesco abraçar e sorrir por nada.

Podemos ser úteis e nem saber. Podemos ser úteis até pra nós mesmos!

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Noite no jardim

Um frio varreu a noite,

Apertou-me o coração.

Fui tomada pela emoção.

Foi o frio? As sementes?

A terra? As flores?

Lembranças? Em todas as cores!


Uma lágrima circulava no meu olho.

Por quem? Eu sabia.

Por quê? Não entendia.

Mas a lágrima não caiu.


Entretanto, a emoção não parava.

Fazia-me lembrar...

Como humana, não sei o que senti.

Como poetisa, tudo compreendi.

Aquela emoção chamava-se saudade.


Não sei se pelo frio que rasgava a noite,

Pelas flores que não estavam sendo apreciadas,

Ou por aquelas que ainda nem eram crescidas

Mas que outrora foram, com carinho, plantadas.


As lembranças que tive:

Dos amigos que o tempo distanciou,

E dos que as circunstancias aproximaram.

Dos amores que eu não aproveitei,

E dos que permanecem por dádiva.

De uma semente replantada,

De um amor sendo reinventado.


E a lágrima.. Por que ela não caiu?

Pela minha falta de coragem!

Porque naquela lágrima residiam verdades!

Verdades que eu não aceitaria,

Verdades que não queria.

E assim ficava..

As verdades? Eu só pensava, eu só sentia.


(30.03.09)

terça-feira, 20 de abril de 2010

05.11.09

O abraço, necessário e esperado.

Mais que em qualquer outro momento

Silêncio. Presença. Cuidado.

Mitigo de tormento.


Desabafar, dizer o que sente.

Desafogar, tirar um peso da mente.

Aliviar, com o ouvir singular

Do amigo particular.


De repente, os olhos se enchem de lágrimas.

É tristeza compartilhada!

Dor dividida.

Um tocar de almas.


Assim, atitudes valem mais que palavras,

E estas, já se tornaram escassas.

Mas sua presença seria algo vago

Quando é o coração que precisa de afago.


As mãos se seguram forte

E com toda firmeza desejam consolar,

Com amor amparar,

Ser apoio, suporte.


Elas trazem sempre consigo alegria

Que ilumina, aquece o dia.

Traz à memória coisas importantes,

Esquecidas em tempos não tão distantes

Fica perto.


Faz-se presente

Auxilia.

Acalenta.

Assim o sorriso preenche o rosto


Apaga o dissabor

Faz brotar no rosto do outro

Um sorriso redentor.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Conversa.

(...)
Sentada no colo do seu pai estava aquela pequena criança. Era a hora do dia em que eles conversavam sobre a vida dela. Anseios, novidades, receios, alegrias, dores.. Era o momento do dia que a menininha mais gostava. Acontecia sempre depois dela fazer suas tarefas de casa, quando a luz do dia já estava se esvaindo e a noite começava a raiar. As cores do céu eram sempre diferentes, e a criança gostava de conversar com seu paizão, como ela costumava chamar, sentindo a brisa no seu rosto, o barulho do vento nas folhas do jardim e o céu colorido com seu crepúsculo diário.

A pequena chegou na varanda da sua casa, aquela que dava para ao jardim. Seu pai já lhe esperava lá. Olhou para ela com o seu sorriso carinhoso e deu duas batidinhas no banco chamando-a para sentar-se ao seu lado.
A conversa daquele dia seria diferente. O rostinho jovem da pequena dizia isso. Seu pai, por conhecê-la muito bem, já esperava uma daquelas perguntas cabeludas.
Ela sentou ao lado do seu belo pai, calada.
Ele preferiu respeitar o silêncio dela e também não pronunciou palavra alguma.

Depois de alguns minutos de silêncio, a pequena respirou e logo disse:

- Pai, quero saber! - um tom de revolta pairava em sua voz.
- Quer saber o quê, minha querida? - disse o pai com sua voz grossa e alentadora
- TUDO! - exclamou ela

Seu pai riu, mexeu nos cabelos dela colocando a franja atrás da orelha.
- Tudo, minha criança? Tudo é tanta coisa!
- Mas eu quero, papai, eu quero saber! Quero tirar todas as minhas dúvidas, quero ser a menina mais esperta, quero não perguntar mais nada, não esperar mais as respostas... quero saber!
- Calma, minha pequena! As coisas não podem ser assim. A ordem natural das coisas deve ser respeitada. Você só deve saber o necessário, e se preocupar apenas com ele. O mais, saberás no momento certo!
- Mas se eu souber de tudo agora, quando chegar o "momento certo" eu não precisarei mais aprender, porque eu já sei. - justificou a menina - Além do mais, eu demoro pra aprender as coisas na hora, e às vezes dói..
- Sabe, filha, isso é verdade.. às vezes dói. Mas faz você amadurecer. E as frutas que amadurecem no tempo certo, do modo certo são muito mais saborosas que aquelas que foram forçadas a amadurecer. Elas não passaram pelo que deveriam passar. E assim, as primeiras causam muito mais sorrisos de prazer naqueles as degustam. Uma fruta docinha, bem madura acaba tornando a sua presença naquele momento imprescindível e marcante. Ela será um ponto feliz na lembrança daquele dia, mesmo que o dia não tenha sido um dos melhores. - afirmou o pai da menina - Alegre-se, minha criança! Você não precisa saber de tudo, não precisa amadurecer precocemente. Aproveite seu tempo, seu momento. E eu estarei com você todos os dias, aqui ou em qualquer lugar, sejam dias alegres ou dolorosos. Você nunca esteve sozinha, e nem nunca estará. Eu amo você!

A menina silenciou, encostou seu rosto no braço do seu pai e sorriu. Olhou para o céu, respirou aliviada e concordou:

- É! Você sempre estará comigo. Eu também te amo, Papai.



"Minha vida quieta em Tuas mãos, seja tudo o que me faz feliz"
(Tudo Que Me Faz Feliz - Carol Gualberto)